Matemática Emocional
- Professor Wemerson Oliveira.
- 11 de abr.
- 2 min de leitura
Dou aula de matemática há alguns anos e, com o tempo, fui percebendo que o maior obstáculo dos meus alunos nunca foi exatamente o conteúdo, como frações, números decimais ou equações, mas sim o que eles sentem quando se deparam com isso.
É muito comum ouvir frases como “não nasci pra isso”, “sou ruim em matemática”, “vou errar mesmo”. No começo, eu tentava resolver isso com mais explicações, mais exercícios, mais exemplos. Só que, aos poucos, ficou claro que não era suficiente. Existia algo mais profundo, crenças que já estavam ali há muito tempo, formadas por experiências anteriores, muitas vezes marcadas por frustração, vergonha ou medo de errar.
Foi aí que comecei a mudar minha forma de ensinar. Passei a enxergar a matemática não só como conteúdo, mas como um espaço onde o aluno também precisa se desenvolver emocionalmente. Comecei a prestar atenção não só no acerto ou no erro, mas na reação deles diante das atividades, na postura ao tentar resolver um problema, no que falavam sobre si mesmos durante o processo.
Hoje, quando trabalho com números decimais ou frações, não começo direto pela técnica.
Primeiro tento entender o que aquilo representa na vida deles. Onde eles já viram esse tipo de número, em que situações isso aparece. Muitos já lidam com matemática no dia a dia, ajudando em casa, olhando preços, dividindo algo com alguém, só que não percebem isso como matemática.
Também gosto de trazer elementos da própria vida deles para a aula. Datas importantes, idade, planos, sonhos. Quando os números começam a se conectar com histórias reais, com projetos de vida, tudo faz mais sentido. A matemática deixa de ser algo distante e passa a ter significado.
Um ponto que considero essencial é a forma como lidamos com o erro. Tento mostrar que errar faz parte do processo. Quando um aluno erra, não trato isso como problema, mas como oportunidade de entender melhor. Muitas vezes digo que o erro mostra exatamente onde a gente precisa olhar com mais atenção. Aos poucos, vou construindo um ambiente em que eles se sintam mais à vontade para tentar, falar, arriscar.
Claro que isso não acontece de uma hora para outra. Alguns alunos chegam muito travados, com anos de bloqueio. Mas, com o tempo, pequenas mudanças começam a aparecer. Eles participam mais, arriscam mais, começam a perceber que conseguem. E quando isso acontece, a aprendizagem muda de qualidade, deixa de ser automática e passa a ter sentido.
No fim das contas, o que eu busco é ajudar cada estudante a reconstruir sua relação com a matemática e com ele mesmo. Porque quando o aluno começa a acreditar que é capaz, não é só na matemática que ele melhora. Isso impacta a forma como ele se vê, e isso muda todo o caminho de aprendizagem.



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